Custo total de propriedade (TCO): como calcular, analisar e reduzir custos

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Ao avaliar um ativo industrial, é comum que a decisão de compra seja guiada apenas pelo preço inicial. Mas, na prática, esse valor representa apenas uma pequena parte do que o equipamento vai custar ao longo do tempo. Manutenção, consumo de energia, falhas, paradas não planejadas e até o descarte final impactam diretamente o orçamento da operação.

É nesse contexto que o custo total de propriedade se torna um indicador fundamental. Ele permite enxergar o custo real de um ativo durante todo o seu ciclo de vida, ajudando gestores de manutenção e operações a tomarem decisões mais estratégicas, previsíveis e sustentáveis.

Neste conteúdo, você vai entender como o custo total de propriedade (TCO) funciona, quais custos devem ser considerados e como reduzir gastos ao longo da vida útil dos ativos com apoio da manutenção e da tecnologia.

O que é custo total de propriedade (TCO)?

O custo total de propriedade, conhecido pela sigla TCO do inglês Total Cost of Ownership, é uma metodologia que considera todos os custos associados a um ativo desde a sua aquisição até o fim de sua vida útil.

Diferente de uma análise focada apenas no preço de compra, o TCO inclui despesas diretas e indiretas relacionadas à operação, manutenção, falhas, consumo de recursos e desativação do ativo. Isso permite uma visão muito mais realista do impacto financeiro que um equipamento gera ao longo do tempo.

Na gestão de ativos e na manutenção industrial, o custo total de propriedade é fundamental para:

  • Comparar ativos ou fornecedores de forma justa
  • Avaliar se vale a pena manter ou substituir um equipamento
  • Identificar onde estão os maiores custos ao longo do ciclo de vida
  • Apoiar decisões baseadas em dados, e não apenas em percepções

O TCO transforma a manutenção de um centro de custos reativo em uma área estratégica, conectada à eficiência operacional e à saúde financeira da empresa.

Quais custos compõem o custo total de propriedade?

O custo total de propriedade é formado por todos os gastos que um ativo gera ao longo de seu ciclo de vida, não apenas no momento da compra. Para ter uma visão realista do TCO, é essencial considerar as seguintes categorias de custos:

Aquisição e instalação

  • Preço de compra do ativo
  • Transporte, impostos e taxas
  • Instalação, comissionamento e adequações de infraestrutura

Operação

  • Consumo de energia, água, ar comprimido ou outros insumos
  • Mão de obra operacional
  • Ineficiências operacionais causadas por baixo desempenho do equipamento

Manutenção

Falhas e paradas não planejadas

  • Perda de produção
  • Impacto em prazos e nível de serviço
  • Custos emergenciais de reparo
  • Riscos à segurança e à qualidade

Gestão de estoque e logística

  • Armazenamento de peças sobressalentes
  • Obsolescência de componentes
  • Compras emergenciais com custo elevado

Treinamento e capacitação

  • Treinamento de operadores e técnicos
  • Tempo de adaptação a novos equipamentos
  • Rotatividade de equipe e requalificação

Desativação e descarte

  • Desmontagem do ativo
  • Custos ambientais e legais
  • Revenda, sucateamento ou descarte adequado

Quando esses custos não são mapeados, o ativo pode parecer barato na compra, mas extremamente caro ao longo do tempo.

Por isso, entender todos os elementos que compõem o custo total de propriedade é o primeiro passo para reduzir desperdícios, priorizar investimentos mais inteligentes e fortalecer a estratégia de manutenção.

Como calcular o custo total de propriedade na prática

Calcular o custo total de propriedade não precisa ser um exercício complexo, cheio de fórmulas. Na prática, o objetivo é simples: somar tudo o que um ativo custa ao longo do tempo e usar essa visão para tomar decisões melhores, como escolher entre fornecedores, priorizar investimentos e definir o momento certo de substituir um equipamento.

A lógica funciona assim:

  1. Defina o período que você quer analisar
  2. Levante os custos mais relevantes dentro desse período
  3. Consolide por ativo e compare os resultados

A seguir, o raciocínio por partes.

Horizonte de tempo do cálculo

O primeiro passo é definir o “tamanho” do ciclo de vida que você quer avaliar. Isso depende do tipo de ativo e do que você quer decidir. Exemplos de horizontes comuns:

  • 12 a 24 meses: útil para comparar fornecedores, modelos ou contratos, quando você ainda não tem histórico longo
  • 3 a 5 anos: ideal para decisões de médio prazo, muito comum em ambientes industriais
  • Vida útil estimada do ativo: mais completo para ativos críticos e de alto custo

O ponto importante é manter o mesmo horizonte para todos os ativos comparados, para evitar distorções.

Levantamento histórico de custos

Com o horizonte definido, o próximo passo é reunir o histórico de custos do ativo. Aqui, não é só manutenção. Uma abordagem prática é separar por “blocos”:

  • Custos iniciais: compra, instalação, adequações
  • Custos de operação: energia, insumos, mão de obra operacional
  • Custos de manutenção: preventivas, corretivas, peças, serviços externos
  • Custos de falhas: paradas não planejadas, perda de produção, urgências
  • Custos de fim de vida: desmontagem, descarte, revenda

Mesmo que você não consiga começar com 100% dos custos mapeados, já dá para avançar com os principais e ir refinando mês a mês.

Importância de dados confiáveis de manutenção

O TCO só vira uma ferramenta de gestão quando é sustentado por dados confiáveis, especialmente da manutenção, porque essa é uma das maiores fontes de custo ao longo do tempo. O que costuma fazer diferença na qualidade do cálculo:

  • Ordens de serviço com apontamento correto de horas, peças e serviços
  • Histórico de falhas consistente, com causa e recorrência
  • Custos associados ao ativo registrados no mesmo lugar
  • Padronização de categorias de manutenção e tipos de custo

Sem esse nível de organização, o TCO vira uma estimativa frágil. Com dados bem registrados, ele vira um indicador estratégico para justificar decisões e investimentos.

Comparação entre ativos ou fornecedores usando TCO

A comparação é onde o custo total de propriedade realmente ganha valor. Em vez de escolher o ativo que parece mais barato, você escolhe o que custa menos ao longo do tempo, com menos risco e mais previsibilidade. Como comparar de forma prática:

  • Consolide o TCO por ativo no mesmo horizonte de tempo
  • Separe o custo por categorias para entender “onde dói mais”
  • Verifique recorrência de falhas e impacto de paradas
  • Compare custo total e também custo por performance, como custo por hora operada ou por unidade produzida, quando fizer sentido

Na prática, dois ativos com preço parecido podem ter TCO muito diferente. E um ativo mais caro na compra pode ser o melhor investimento se reduzir manutenção, consumo e paradas não planejadas.

Técnico realizando manutenção preventiva em linha industrial como estratégia para diminuir o custo total de propriedade dos ativos.

Como reduzir o custo total de propriedade ao longo do ciclo de vida dos ativos

Reduzir o custo total de propriedade não significa apenas cortar gastos, mas sim gastar melhor ao longo de todo o ciclo de vida do ativo. A estratégia está em antecipar problemas, aumentar a confiabilidade e usar dados para tomar decisões mais inteligentes na manutenção. A seguir, as práticas que mais impactam o TCO na prática.

Planejamento de manutenção preventiva

Planejar a manutenção preventiva é uma das formas mais diretas de reduzir o custo total de propriedade. Ativos bem mantidos falham menos, duram mais e geram menos custos emergenciais. Boas práticas incluem:

  • Planos preventivos baseados em criticidade do ativo
  • Execução no prazo correto, sem “pular” atividades
  • Ajustes periódicos do plano conforme histórico de falhas

Preventiva bem feita reduz corretiva, paradas não planejadas e custos indiretos.

Uso de indicadores como MTBF e MTTR

Indicadores transformam manutenção em estratégia. Os dois mais relevantes para o TCO são:

  • MTBF: quanto maior, mais confiável é o ativo
  • MTTR: quanto menor, mais rápido é o retorno à operação

Ao acompanhar esses indicadores ao longo do tempo, fica mais fácil:

  • Identificar ativos problemáticos
  • Priorizar investimentos
  • Medir se ações de manutenção estão funcionando

Ativos com MTBF baixo e MTTR alto tendem a inflar o custo total de propriedade rapidamente.

Padronização de ativos e peças

Ambientes com muitos modelos diferentes de ativos e peças costumam ter TCO mais alto. A padronização ajuda a:

  • Reduzir estoque de peças sobressalentes
  • Facilitar treinamentos
  • Acelerar diagnósticos e reparos
  • Negociar melhor com fornecedores

Menos variedade significa menos complexidade e menos custo ao longo do tempo.

Monitoramento contínuo da performance

Acompanhar a performance dos ativos de forma contínua permite agir antes que o problema vire custo alto. O monitoramento ajuda a:

  • Identificar queda de eficiência
  • Detectar padrões de falha
  • Ajustar planos de manutenção
  • Evitar paradas inesperadas

Quanto mais cedo o desvio é identificado, menor o impacto no custo total de propriedade.

Decisões de substituição baseadas em dados, não em achismo

Um erro comum é manter ativos problemáticos apenas porque “ainda funcionam”. Outro é trocar ativos sem base concreta. Decisões melhores surgem quando você analisa:

  • Evolução do custo de manutenção ao longo do tempo
  • Frequência e impacto das falhas
  • Comparação do TCO atual com o TCO estimado de um novo ativo

Quando os dados mostram que manter o ativo custa mais do que substituí-lo, a decisão deixa de ser emocional e passa a ser estratégica.

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