Manutenção em mineração: desafios, estratégias e boas práticas

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Uma falha em um britador, caminhão fora de estrada ou transportador pode afetar etapas sucessivas da extração, do transporte e do beneficiamento, reduzindo a disponibilidade da operação.

Por isso, a manutenção em equipamentos de mineração precisa combinar segurança, planejamento e decisões baseadas no estado dos ativos. O objetivo não é apenas consertar máquinas, mas evitar falhas e organizar intervenções.

Conheça os principais desafios da área e um caminho prático para estruturar uma estratégia mais confiável.

O que é manutenção em equipamentos de mineração?

A manutenção em equipamentos de mineração reúne inspeções, ajustes, lubrificação, substituição de componentes, reparos e monitoramento para preservar a segurança e o desempenho dos ativos.

Ela abrange equipamentos móveis, como escavadeiras, perfuratrizes e caminhões, e ativos estacionários, como britadores, peneiras, moinhos, bombas e transportadores.

Como essas máquinas operam sob carga elevada, poeira, umidade, vibração e materiais abrasivos, pequenas anomalias podem evoluir rapidamente. O plano deve considerar o manual do fabricante, o contexto operacional, o histórico de falhas e a criticidade.

Quais são os principais desafios da manutenção em mineração?

O ambiente severo é apenas parte do problema. A gestão precisa lidar com fatores técnicos, logísticos e de segurança ao mesmo tempo:

  • Desgaste acelerado: abrasão, impacto, contaminação e vibração comprometem rolamentos, correias, revestimentos, sistemas hidráulicos e componentes de transmissão.
  • Ativos dispersos: máquinas podem estar distantes das oficinas e operar em frentes de lavra com acesso limitado, aumentando o tempo de atendimento.
  • Alto impacto das paradas: a indisponibilidade de um ativo gargalo pode interromper processos anteriores e posteriores.
  • Suprimentos complexos: peças grandes, específicas ou importadas exigem planejamento de estoque e compras.
  • Riscos da intervenção: energia residual, partes móveis, altura, espaços confinados e sistemas hidráulicos demandam procedimentos rigorosos.

A NR-22 atualizada determina requisitos de segurança específicos para a mineração e remete à NR-12 quando aplicável. Entre outros pontos, prevê condições seguras de acesso para manutenção, cuidados adicionais em equipamentos sustentados por sistemas hidráulicos ou pneumáticos e procedimentos para intervenções em equipamentos de beneficiamento.

Quais equipamentos devem receber mais atenção?

Britadores primários, moinhos, peneiras e transportadores geralmente merecem atenção por sua influência no fluxo de produção. Equipamentos móveis, freios, pneus, motores, transmissão e sistemas hidráulicos pedem acompanhamento frequente.

O primeiro passo é realizar uma análise de criticidade. Considere segurança, meio ambiente, qualidade, produção, custo e tempo de recuperação para direcionar recursos aos ativos de maior risco.

Quais estratégias de manutenção podem ser aplicadas?

A melhor política combina diferentes abordagens conforme o modo de falha e a importância do equipamento.

Manutenção preventiva

A preventiva segue intervalos de tempo, horas trabalhadas, quilometragem ou ciclos. É indicada para trocas de filtros e lubrificantes, reapertos, calibrações e revisões recomendadas pelo fabricante.

Um bom planejamento da manutenção preventiva evita intervenções esquecidas e ajuda a reservar mão de obra, ferramentas e peças.

Manutenção preditiva

A manutenção preditiva acompanha a condição do ativo para identificar alterações antes da falha funcional. Análise de vibração, termografia, ultrassom, análise de óleo e monitoramento de temperatura ajudam a reconhecer desalinhamento, desbalanceamento, contaminação, aquecimento e desgaste.

Essa estratégia é especialmente útil em ativos críticos e de operação contínua. Entretanto, instalar sensores sem definir limites, responsáveis e ações não resolve o problema. Cada alerta deve gerar avaliação técnica e, quando necessário, uma ordem de serviço.

Manutenção corretiva planejada

Nem toda corretiva precisa ocorrer após uma quebra inesperada. Quando uma anomalia é detectada e o equipamento pode operar com segurança até uma janela programada, o reparo pode ser planejado. Já a corretiva não planejada deve ter suas causas investigadas, sobretudo quando a falha se repete.

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Como criar um plano de manutenção para a mineração?

Um plano aplicável deve transformar informações técnicas em rotinas claras:

  1. Cadastre os ativos: organize localização, modelo, componentes, manuais e dados técnicos.
  2. Defina a criticidade: classifique os equipamentos pelo risco e pelo impacto de uma falha.
  3. Mapeie modos de falha: identifique causas, sinais e consequências.
  4. Escolha as tarefas: estabeleça inspeções, preventivas, técnicas preditivas e critérios para substituição.
  5. Planeje os recursos: associe cada atividade a profissionais, ferramentas, EPIs, peças e procedimentos.
  6. Programe com a operação: alinhe as intervenções às janelas produtivas e evite que várias paradas críticas coincidam.
  7. Revise os resultados: use o histórico para ajustar frequências, eliminar tarefas sem efeito e tratar falhas recorrentes.

O PCM, Planejamento e Controle da Manutenção, deve coordenar esse processo com a operação, a engenharia e os suprimentos. Sem essa integração, o plano pode existir no papel e falhar na execução.

Quais indicadores acompanhar?

Os indicadores de manutenção mostram se as ações estão aumentando a confiabilidade ou apenas consumindo recursos. Entre os principais estão:

  • Disponibilidade: percentual de tempo em que o ativo esteve apto a operar;
  • MTBF: tempo médio entre falhas de equipamentos reparáveis;
  • MTTR: tempo médio necessário para restabelecer o equipamento;
  • Cumprimento do plano preventivo: proporção das tarefas concluídas no prazo;
  • Distribuição por tipo de manutenção: participação de atividades preventivas, preditivas e corretivas;
  • Backlog: volume de trabalho pendente expresso em tempo de execução.

Avalie esses dados por classe de ativo, frente de lavra ou etapa do beneficiamento. Médias gerais podem esconder um britador com reincidência de falhas ou uma frota com baixa disponibilidade.

Como um CMMS apoia a manutenção na mineração?

Planilhas isoladas dificultam a consolidação de informações de ativos distribuídos e equipes em turnos diferentes. Um sistema CMMS centraliza planos, ordens de serviço, checklists, falhas, custos, estoque e indicadores.

Com o acesso móvel, o técnico registra evidências em campo. A integração entre sensores IoT e CMMS permite associar alertas ao histórico do equipamento e acelerar decisões.

Para obter resultado, porém, é necessário padronizar cadastros, códigos de falha e critérios de encerramento. Dados incompletos produzem análises pouco confiáveis, mesmo em uma plataforma avançada.

Boas práticas para reduzir falhas e paradas

Algumas medidas fortalecem a rotina de manutenção:

  • Crie checklists específicos por equipamento e condição de operação;
  • Controle contaminação e armazenamento de lubrificantes;
  • Mantenha peças críticas definidas conforme risco e prazo de reposição;
  • Registre sintomas, causas, ações e tempos em cada ordem de serviço;
  • Investigue falhas repetitivas em vez de apenas trocar componentes;
  • Capacite operadores para identificar ruídos, vazamentos, aquecimento e vibrações anormais;
  • Audite bloqueios, permissões e procedimentos antes das intervenções.

Torne a manutenção da mineração mais previsível

A manutenção em equipamentos de mineração se torna mais eficiente quando prioridades, tarefas e resultados estão conectados. Criticidade orienta onde agir, inspeções e técnicas preditivas revelam quando intervir, e os indicadores mostram se o plano está funcionando.

Com informações centralizadas, a equipe reduz a dependência de controles dispersos e ganha rastreabilidade para decisões técnicas.

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